HPV e o câncer do colo do útero

14 maio 2013

HPV e o câncer do colo do útero

por Nara Luiza Soares Ferreira

Resumo: HPV é a sigla, em inglês, para papiloma vírus humano, que são vírus da família Papilomaviridae. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV e eles são capazes de causar lesões de pele ou mucosa. A maioria dessas lesões tem crescimento limitado e regride espontaneamente, mas algumas podem estar associadas a lesões pré-cancerosas. O HPV é um dos principais causadores do câncer do colo do útero, também chamado de cervical. Por ser considerado um problema de saúde pública, os papilomavírus são, constantemente, objetos de estudos de diversos pesquisadores no mundo e, recentemente, foram feitas descobertas importantes sobre os mesmos. Então, o que é importante saber sobre esses vírus? E o que há de novo sobre o assunto?

HPV é a sigla, em inglês, para papiloma vírus humano. Os papilomavírus são membros da família Papilomaviridae e infectam o epitélio de diversos animais, como répteis, aves e mamíferos, incluindo os seres humanos. Existem mais de 200 tipos de HPV, os quais diferem entre si pela sequência do DNA. Dentre os tipos que acometem os humanos, cerca de 100 já foram descritos e cerca de 40 tem sido encontrados em infecções na mucosa anogenital. Em 2003, esses vírus foram classificados em alto e baixo risco de câncer: os de alto risco são os que têm maior probabilidade de causar lesões persistentes e estar associados a lesões pré-cancerosas e são os tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56 e 58, sendo o tipo 16 o mais prevalente nas infecções do trato genital; já os tipos 6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 70, 72, 81 são de baixo risco, sendo os tipos 6 e 11 os mais encontrados nos condilomas (ou verrugas) genitais e papilomas laríngeos. Alguns tipos não foram detectados em nenhuma amostra e, portanto, foram considerados de risco indeterminado. O DNA dos HPV de alto risco é encontrado em mais de 90% dos casos de câncer cervical.

O vírus é relativamente pequeno, com 50nm de diâmetro, e não envelopado. Seu genoma consiste de uma molécula com DNA duplo com cerca de 8.000 bases pareadas e é formado por três regiões: uma região distal (L); uma região proximal (E); e uma longa região de controle, que se encontra entre as outras duas.

Em 1949, o HPV começou a ser associado com o câncer do colo do útero, quando o patologista George Papanicolaou introduziu o exame Papanicolaou, o mais utilizado no mundo para detectar a doença. O exame, que identifica mulheres com alterações celulares pré-maligna, possibilitou observar a associação entre a atividade sexual e o desenvolvimento desse câncer. O avanço das técnicas moleculares possibilitou a elucidação de diversos aspectos da doença e, atualmente, a associação entre HPV e o câncer do colo uterino está bem estabelecida.

A transmissão dos papilomavírus é por contato direto com a pele infectada, sendo as relações sexuais, incluindo sexo anal e oral, a principal forma de transmissão. Os papilomas laríngeos e respiratórios, de início juvenil, estão associados à infecção por HPV e são transmitidos pela mãe durante o parto. Os principais fatores de risco estão relacionados ao início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros. Além disso, o tabagismo, uso prolongado de pílulas anticoncepcionais, número elevado de gestações, pacientes tratadas com imunossupressores (transplantadas) e infecção por outras doenças sexualmente transmissíveis estão associados ao maior risco de desenvolvimento de câncer de colo do útero. Entretanto, a maioria das infecções é transitória e combatida espontaneamente pelo sistema imune.

A prevenção deve ser feita usando-se preservativo (camisinha) durante a relação sexual (mesmo entre parceiros estáveis), o que diminui a possibilidade de transmissão, mas não a evita totalmente.

O diagnóstico das verrugas genitais pode ser obtido pelos exames urológico (pênis), ginecológico (vulva) e dermatológico (pele). Já o diagnóstico das lesões subclínicas (sem lesão aparente) precursoras do câncer do colo do útero é feito pelo exame preventivo Papanicolaou. Quando esse câncer é descoberto precocemente, a chance de cura é de quase 100%. Porém, cerca de 10% dos testes realizados apresentam resultados falsos negativos, o que é uma taxa alta, principalmente, quando se considera o fato de que todo ano 20.000 mulheres são diagnosticadas com a doença e 5.000 morrem em decorrência da mesma.

Recentemente, surgiu um exame tão ou mais eficaz na prevenção do câncer que o Papanicolaou. O exame molecular automatizado do HPV já é usado pelo sistema público de saúde de vários países da Europa e deve chegar ao mercado brasileiro em maio. Os novos testes moleculares em estudo têm um índice de falha de apenas 1% e, além da infecção, são capazes de determinar o tipo de HPV responsável por ela. Além disso, o diagnóstico da doença é antecipado em 20 anos, sendo que o método tradicional é capaz de identificar o câncer com apenas 10 anos de antecedência.

Um artigo publicado em março deste ano na revista The Lancet mostrou que a infecção por HPV não é um problema tipicamente feminino, visto que cerca de 50% dos homens que participaram como voluntários do estudo (americanos, brasileiros e mexicanos) estavam infectados pelo vírus. O número é preocupante, pois é 20% maior que o índice de mulheres infectadas. Entre os pacientes masculinos existe o risco de câncer de pênis, um tumor muito raro.

As infecções causadas por HPV, assim como outras doenças sexualmente transmissíveis, são um problema de saúde pública e devem fazer parte do conhecimento da população para evitar sua propagação e, consequentemente, as doenças geradas pelos mesmos. Isso ressalta, ainda mais, a importância dos estudos na área.

Referências:

– Lopes, A. D.; Ming, L. O Fim de um Pesadelo. Revista Veja, Editora Abril, Edição 2208 de 16 de Março de 2011, p. 110-111.

– Nakagawa, J. T. T.; Schirmer, J.; Barbieri, M. Vírus HPV e câncer de colo de útero. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 63, n.2, mar./abr. 2010. Disponível em: Link.  Acessado em: 18/03/2011.

Reis, A. A. S. et al. Papilomavírus humano e saúde pública: prevenção ao carcinoma de cérvice uterina. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.15, supl.1, jun. 2010. Disponível em: Link. Acessado em 18/03/2011.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Tipos de Câncer – colo do útero. Disponível em: Link . Acessado em 18/03/2011

Pesquisa feita com brasileiros revela que metade tem HPV: Contaminação masculina é mais elevada do que entre mulheres. Revista Veja Online . Acessado em 18/03/2011

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *